quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aventuras na cozinha




Não é de hoje a minha falta de intimidade com os serviços domésticos. Coisa de quem começou a trabalhar cedo e não teve tempo para aprender. Coisa de quem não gosta, não faz questão de aprender e ignora quem tenta ensinar. Coisa de quem optou por abrir mão de ser “prendada” e preferiu usar esse tempo para coisas que realmente valem a pena.

Na adolescência eu ficava espantada com colegas que trocavam receitinhas para fazer comidinhas para os namoradinhos. Não vejo nada de romântico na pia cheia de coisas pra lavar depois do jantar; um restaurante seria muito mais apropriado, não? Enfim, acho que há quem encontre prazer nessas atividades...

Ainda bem que temos a nossa fiel secretária do lar que há anos nos ajuda nessa empreitada. Muito melhor como ser humano do que como empregada doméstica, ela também não é lá muito prendada, mas dá conta do recado. Acontece que ela entrou de férias. Não o mês inteiro, graças a Deus. Optou por tirar uns dias agora e o restante em julho.

Nos primeiros dias tentei organizar as coisas. Para não ter o trabalho de arrumar a casa no dia seguinte, às dez da noite lá estava eu com vassoura, esfregão e tudo o mais, limpando a casa e ameaçando esganar quem tirasse um palito do lugar.

E a cozinha...ah, a cozinha! Passei uns dias almoçando fora, pedindo comida pronta, mas não dava pra fugir dela para sempre. Hoje eu decidi enfrentar minha adversária. Primeiro fui para o computador, arrumei o quarto, dei uns telefonemas, adiei o quanto pude. Depois olhei para a mesa e pensei: “ Massa ou outra coisa?”

Calma, vou explicar:

MASSA= macarrão, molho pronto e atum
OUTRA COISA= qualquer coisa que dá pouco trabalho e suja pouco.

Decidi por outra coisa mesmo: o arroz de carreteiro, prato típico acho que do Ceará. Peguei o meu caderno de receitas. O de todo mundo tem receitas de bolos, tortas, etc. O meu ,além disso, tem receitas de feijão, molho de tomate, sopa e tudo o que, se eu fizer de cabeça, falta algum ingrediente.

Depois da maratona para encontrar os ingredientes e os utensílios, lá vai o arroz para o fogo. Antes, tive que dourar a carne e as linguiças (outra panela pra lavar) e queria guardar o óleo para doar para reciclagem. Como ainda tinha que lavar uma garrafa PET para guardar, tive a brilhante ideia de colocar o óleo em um copo descartável, que se derreteu e espalhou óleo por todo lugar. Respiradinhas de relaxamento depois, limpei tudo, continuei a minha peregrinação e ignorei a vontade de ligar para a minha mãe para peguntar o ponto certo do arroz e se precisava colocar sal.

“Agora vou fazer o suco”. Fingi que nem estava vendo a garrafa de refrigerante cheinha e as polpas de frutas e fiz um suco fresquinho de laranja e limão (mais coisas na pia).

O prato ficou até bonito e todos fizeram cara de satisfeitos. Ainda bem.

Na hora de lavar os pratos peguei distraidamente a garrafa de óleo que havia esquecido no balcão, confundi com detergente e derramei um pouco na esponja. Uiiiiiiiiiiiiiii, que impaciência.

Depois de todo esse imbróglio ainda tinha coisas para fazer, porque se eu sair da cozinha deixo queimar tudo. Diligentemente arrumei a cozinha, peguei vassouras e afins e fui me torturar mais um pouco.

De qualquer forma, nem tudo está perdido. Segunda feira a nossa escudeira voltará. E até lá já arranjei uma pessoa para substituí-la, não quero correr o risco de virar a casa de cabeça pra baixo.

8 comentários:

Roberta disse...

aushaushaushaush...hilário! vc não filmou não?

Mari Moscou disse...

Fernanda, vim do link que vc deixou no meu blog! :) Antes de mais nada, obrigada pela visita! Superbemvinda, tá?

Depois, mesmo gostando de cozinhar, tem algumas coisas de tarefa doméstica que eu simplesmente DETESTO. Lavar a louça é uma delas, haha. Felizmente o meu Gatón é bem prestativo e sabe que cuidar da casa não é tarefa minha, nem dele, é nossa. Isso me deixa felizona.

Ah, temos uma lista de Feministas na Cozinha, se vc quiser se aventurar! Tem uma menina na lista que está aprendendo a gostar de cozinhar (gostar de limpar a casa já ão outros 500, como eu disse, hehe, uma coisa nao tem nada a ver com a outra), é bem legal acompanhar a guerra dela! :)

Beijo!

Olho no olho disse...

Acabo de ler o mais perfeito relato de uma “mulher moderna”. Não se preocupe, pois dentro de uns trinta anos você aprende a dar conta dos “serviços domésticos”. Qualquer coisa tem aqui uma das suas coleguinhas, que trocavam receitas, para dar uma força. KKKKKKKKK!

Silvana Villas-Boas disse...

RSRSRSR

Adorei as suas "aventuras" de dona de casa. Preocupa não. Depois você dá conta do recado, brincando, rsrsrsr. Obrigada pela visita ao meu Blog.
Bjusss
Sil

Magda Beatriz disse...

Oi Fernanda...peguei seu endereço la no blog da Dri.
Vi q vc não é muito chegada as prendas domésticas...rs...tenho uma filha igualzinha à vc...rs...
Quando puder passa la no meu cantinho...vou adorar!
Tudo de bom para ti!
Beijos!
http://mbeatriz.webnode.pt/

Tânia disse...

Fernandinha adorei teus textos e esse principalmente...acho que vou mostrá-lo a uma das minha noras rsrsrsrsr
arroz de carreteiro é um prato típico aqui do sul e pelo menos esse ela gosta de fazer. Adorei ter vindo e com certeza virei mais vezes. beijos

Isa disse...

Muito bom! Seu texto é ótimo de ser lido. Conquistou mais uma seguidora.
De quebra, vimos que temos muito em comum, sou uma atrapalhada para serviços domésticos tb!
Bem vinda ao clube, hehe.
gde bj
Isa
http://a-vida-de-isa.blogspot.com

Anônimo disse...

Nossa, muito bommmmmm, pior q eu sou assim tb, não tenho dom p dona de casa nem faço questão de aprender nada, me viro na cozinha, se tiver q fazer uma faxininha tb me viro, mas daí dizer q gosto, aí é exagero, kkkk

Angélica Silva