terça-feira, 15 de maio de 2012

Invasão de privacidade



Os noticiários dos últimos dias mostram sem parar o roubo virtual de fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann. Mais espantosos que as manchetes sensacionalistas são os comentários de leitores de tais matérias, que em sua maioria condenam a atriz pelas tais fotos e sequer mencionam o fato de haver nessa história toda bandidos que invadiram, roubaram, ameaçaram, chantagearam. Algo está terrivelmente errado.

Não questiono a pessoa em si, considerada pela mídia como antipática e grosseira, mas o ser humano que foi vítima de um crime ao qual todos nós estamos sujeitos. Questionável também é esta inversão de valores que aos poucos vai impregnando a sociedade, essa ideia de que por trás de uma máquina tudo é permitido.

Os prejuízos emocionais não podem ser calculados, mas ao menos os culpados foram descobertos e, por toda a repercussão do caso, deverão ser punidos com todo o rigor permitido pelas leis. Gostaria apenas que crimes virtuais dos quais as vítimas são simples anônimos fossem investigados com o mesmo empenho e rapidez, afinal a justiça deveria ser cega. 




domingo, 18 de março de 2012

Os amigos - essa gente tão necessária!

(Hamlet Lima Quintana)

Tem gente que basta dizer uma palavra
Acende a ilusão e as roseiras;
Que só com um sorriso entre os olhos
Nos convida a viajar por outras terras,
Nos faz percorrer toda a magia.

Tem gente que basta dar a mão
Rompe a solidão, põe a mesa,
Serve o cozido, coloca as grinaldas;
Que basta empunhar uma guitarra
Compõe uma sinfonia caseira.

Tem gente que mal abre a boca
Chega a todos os limites da alma,
Alimenta uma flor,
Inventa sonhos,
Faz o vinho cantar
E fica como se nada tivesse acontecido.

E assim vamos apaixonados com a vida
Desterrando uma morte solitária,
Pois sabemos que na volta da esquina
Encontramos gente que é assim
TÃO NECESSÁRIA.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mudanças


...mas a gente sempre olha para fora, à espera de algo que nem sabemos ao certo o que é, porque lá não está.
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ana Jácomo



"Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro."



(Ana Jácomo)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Aos artistas da vida



Fazendo um balanço do ano que vai terminando, ato típico de coração amolecido pela época natalina, passa um pequeno filme pela minha cabeça: encontros e reencontros, sorrisos divididos, lágrimas partilhadas, pessoas queridas se fazendo presentes não apenas fisicamente, mas estreitando distâncias através do laço do afeto...

E de novo tenho infinitamente mais a agradecer. Graças a Deus.

Cada novo ano não traz consigo somente marcas de expressão, mas nos dá a oportunidade de preencher as telas em branco que nos são disponibilizadas a cada dia. Podemos escolher as cores, os tons. O nosso quadro vai sendo pintado pouco a pouco...no decorrer dos dias e meses as imagens vão se definindo e ganhando vida. Contemplando a minha arte, vejo que prevaleceram as cores vivas e cheias de sentido, embora não dê para ignorar umas pinceladas cinzentas que ali estão para lembrar que nem sempre é fácil, mas nada impossível. Melhor ainda é lembrar que o meu quadro foi pintado a muitas mãos que passaram e deixaram a sua marca preciosa nos momentos em que a inspiração voou para longe. Sem esse toque não seria o meu quadro, algo estaria incompleto e sem graça.

Obrigada a cada um que compartilhou essa maravilhosa pintura comigo. Uma nova tela está chegando e espero que, juntos, façamos o nosso melhor. Por nós, pelo outro, pelo mundo que precisa de artistas da vida para dar um colorido especial à existência.

Feliz 2012! 

"Que seja doce."

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tem jeito?



Depois de mais um lamentável episódio de ignorância e preconceito contra os nordestinos, a resposta de um jovem que pensa. Leiam, vale a pena:



Cara Sophia Fernandes, (se esse for mesmo seu nome)

Antes de falar o que penso a respeito de suas opiniões emitidas em sua página no Twitter onde você expôs seu repúdio pelos nordestinos, queria parabenizá-la por duas coisas, pelo sucesso alcançado com suas postagens, se é que isso é algo que mereça congratulações, e pela ousadia e coragem de falar em público o que muitos brasileiros pensam e omitem. Se sua atitude fosse repetida por todos aqueles preconceituosos omissos, haveria a possibilidade de se esclarecer alguns estigmas ao invés de escondê-los sob uma capa de falso moralismo como acontece corriqueiramente.
Quando você nos chama de negros imundos, sujos, etc., você evidencia se não a sua mediocridade racista, a sua ignorância. Admira-me que você, que deduzo, teve acesso a uma educação privilegiada não saiba as origens do povo brasileiro, e conseqüentemente, as suas origens. Branco, no Brasil, é algo raro! O Brasil colonial que originou nossa civilização não era habitado exclusivamente por lusitanos, foram mandados para cá pessoas de diversas etnias, que procriaram entre si, originando raças mestiças de diversas tonalidades, algumas mais claras, outras mais escuras, mas todos vindos da mesma mistura! Então como pode você, que provavelmente tem correndo em suas veias sangue negro, indígena, ariano e tantos outros misturados, se achar biologicamente superior a alguém cuja única característica dissonante é uma maior produção de melanina¿

Ao afirmar que nós passamos fome, você não está mentindo, está apenas generalizando. Claro que no nordeste muitos passam fome, existem muitos miseráveis. Entretanto a fome é um problema vigente também em seu Estado, em todo o nosso país, até mesmo em países mais desenvolvidos que nós. Países europeus possuem mendigos de cor branca, que você tanto superestima, morrendo de fome todos os dias. A fome não é um problema geográfico, e se o fosse, seria um fenômeno verificado na totalidade da superfície terrestre, com exceção de sua geladeira, é óbvio. Não é querendo parafrasear uma citação famosa que diz que o nordestino é antes de tudo um forte, mas a verdade é que temos mais motivos de nos orgulhar por nossos antepassados terem sobrevivido e prosperado apesar das limitações sociais e porque não, geográficas, do que você tem de se orgulhar por nascer bela, rica e inteligente, porque no fim das contas, você não fez o menor esforço para isso, lhe foi dado, e convenhamos, é mais árduo, porém muito mais gratificante algo conquistado do que algo achado, um dia talvez você entenda isso...

Somos feios, imundos, sujos, burros, etc. e tal! Ok! Se nos seus olhos aparecemos assim, é porque você admite um estereótipo ao qual somos constantemente associados. Não lhe culpo de falta de caráter por nos enxergar assim, lhe culpo de ignorância, pois quando se fala em áfrica, todos nós sem exceção, pensamos em negros, famintos; quando se fala na Alemanha, todos, sem exceção pensamos em nazistas xenofóbicos, quando se fala em México, todos nós remetemos de imediato a enormes chapéus, bigodes e comidas apimentadas, mas a verdade é que a realidade não se limita a isso. Você pode estereotipar, mas prepare-se para ser estereotipada, pois eu tenho uma péssima notícia para você:

Sabe aqueles povos, brancos, cultos, limpos, ricos, os quais você provavelmente admira¿
- Eles não lhe vêem do mesmo modo narcisista que você! Para qualquer um, em qualquer país em condição econômica igual ou superior à nossa, você não passa se uma prostituta, sambista, analfabeta, passa-fome, etc.! Mas claro que você não é isso, então porque nós somos o retrato que você, mergulhada em sua ignorância, pinta de nós mesmos¿

Ao contrário do que você pensa, ou do que seu narcisismo ofuscante lhe faz pensar, você não é tão perfeita assim! Externamente você pode até ser bonita, mas no que diz respeito à construção interna, intelectual ou de caráter, você é tudo aquilo que nos atribui. Vários adjetivos podem ser usados para descrever o seu caráter, mas um em especial, freqüente em seus comentários, o define integralmente: LIXO! Mas se você almejava apenas ser diferente dos outros, parabéns, você conseguiu! Você agora é mais fútil, arrogante, estúpida e vazia do que a maioria dos internautas que lhe seguem...
Termino falando em nome de todos os nordestinos quando digo que o repúdio que você tem por nós é recíproco e que, quanto aos convites para conhecer nossa região que você menosprezou recentemente, desconsidere! Pois você não é bem-vinda aqui! Nem você nem ninguém de caráter degradante como o seu, pois se somos uma terra de animais, um animal sulista como você não iria acrescentar muito só por estar devidamente maquiado e produzido...

Espero ansiosamente por uma resposta! Que seja à altura, pois de babaquice seu Twitter já está cheio!

“Estereótipo é a forma mais medíocre de preconceito”



Jhonny Lucas, Universitário, Nordestino, Pernambucano e Recifense com muito orgulho!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quando cai a chuva do amor

Era pequenininho e arisco. Dividia a vida dura com a mãe e os dez irmãos em uma pequena cidade do interior onde a luta pela sobrevivência era o desafio diário. Um dia descobriu que a vida poderia ser ainda mais dura, pois além das privações suas de cada dia teria que conviver com uma doença terrível que tomava o seu corpinho. A miséria, aliada à falta de informações e ao desconhecimento total da gravidade da situação, certamente significaria uma batalha perdida pelo pequeno guerreiro.

Mas quem disse que os anjos de Deus não andam por todos os lugares com suas redes salvadoras, tecidas com amor e abnegação?


 A tristeza e o medo no olhar eram tão evidentes que feriam olhos e corações. Em que parte da sua caminhada havia perdido o sorriso e a esperança? Seus anjos começam um trabalho de formiguinha, ganhando a confiança, trazendo pequenas gotas de colorido à sua vida.

Ganhou, além de uma nova chance, o resgate da sua infância perdida em meio  à vida dura. Ganhou tantas tias, atenção, beijos e carinho, que se podia vislumbrar a esperança em seu rostinho.



No meio dos afagos e brinquedos foi descobrindo a infância esquecida, mesmo em meio a um tratamento difícil e doloroso.







Quem o vê agora percebe que uma parte de si foi devolvida, a parte mais importante, mais linda:






Se tudo tem um propósito, talvez tudo isso tenha servido para te resgatar e mostrar que tudo pode ser mais bonito e colorido. Que o amor pode ser o remédio mais eficaz.  Que os anjos que te resgataram têm tanto brilho no olhar que puderam devolver o que você havia perdido sem ao menos se dar conta.

Termina logo a sua batalha, menino. A vida te espera como o pote no fim do arco-íris! Vem correr, jogar bola, fazer arte, dar cambalhota. Vem cantar e nos encantar. Eis que você nasce agora.