segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Eu quero descer!!!


Recentemente tive o desprazer de presenciar atitudes mais do que sem respeito com as pessoas. Isso por parte de um guri que ainda não tem treze anos! O que me causa espanto, no caso citado, não é a atitude do menino em si (porque meninos de treze anos ainda vão levar 'lapadas' da vida para aprender muitas coisas, se não resolverem melhorar por conta própria). O que me espanta é a indiferença dos pais diante dos fatos presenciados por muitos.

Não que eu, mãe de um pré adolescente, tenha a ilusão de que a mera interferência da família vá solucionar os problemas. Mas é preciso que se faça alguma coisa, não dá pra ficar parado olhando um filho que agride verbalmente quem quer que seja, independentemente de idade, de conhecer ou não a pessoa. Se a famíla interfere, conversa, tenta conscientizar, buscar orientação profissional, é outra história: que se tenha a consciência de dever cumprido, de não ter desistido do outro por achar que ele não tem mais jeito.

E me preocupou a 'plateia' de meninos e meninas ao seu redor enquanto ele explicava, entre outros absurdos, como se faz bullying na escola, 'escolhendo os meninos menores que estão na fila da lanchonete, ameaçando-os com gritos e palavrões até que eles saiam e vão para o final da fila. Várias vezes até as aulas recomeçarem e os meninos não conseguirem lanchar'.

Se fosse um menino com situação social de risco, haveria quem argumentasse que era por conta da exclusão social, da miséria, etc, etc, etc. Mas ele e seus amigos são crianças de classe média alta, com acesso às melhores escolas, cursos, viagens (e pelo jeito sem acesso a diálogo, atitudes de respeito, limites)...

Me doía ver como jogavam embalagens e palitos de picolé, papeis de bombons e tudo o que se possa imaginar no chão, como se o zelador fosse escravo deles. Será que existe, ao menos nas escolas caras onde estudam, orientações sobre educação (doméstica e ambiental)???

Volto a dizer que não acho que os pais interferindo pudessem mudar as coisas de forma mágica, mas ficar olhando esses absurdos é, no mínimo, o que os pais de incendiários de índios e mendigos e torturadores de negros, gays e outras minorias fazem/fizeram.

Qualquer um de nós está sujeito a enfrentar problemas parecidos com filhos. Mas que ao menos se plante sementes boas para que eles possam decidir se querem colher ou não.

Desculpem o post amargo, mas hj só penso naquela frase tão comum e verdadeira:

PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aventuras na cozinha




Não é de hoje a minha falta de intimidade com os serviços domésticos. Coisa de quem começou a trabalhar cedo e não teve tempo para aprender. Coisa de quem não gosta, não faz questão de aprender e ignora quem tenta ensinar. Coisa de quem optou por abrir mão de ser “prendada” e preferiu usar esse tempo para coisas que realmente valem a pena.

Na adolescência eu ficava espantada com colegas que trocavam receitinhas para fazer comidinhas para os namoradinhos. Não vejo nada de romântico na pia cheia de coisas pra lavar depois do jantar; um restaurante seria muito mais apropriado, não? Enfim, acho que há quem encontre prazer nessas atividades...

Ainda bem que temos a nossa fiel secretária do lar que há anos nos ajuda nessa empreitada. Muito melhor como ser humano do que como empregada doméstica, ela também não é lá muito prendada, mas dá conta do recado. Acontece que ela entrou de férias. Não o mês inteiro, graças a Deus. Optou por tirar uns dias agora e o restante em julho.

Nos primeiros dias tentei organizar as coisas. Para não ter o trabalho de arrumar a casa no dia seguinte, às dez da noite lá estava eu com vassoura, esfregão e tudo o mais, limpando a casa e ameaçando esganar quem tirasse um palito do lugar.

E a cozinha...ah, a cozinha! Passei uns dias almoçando fora, pedindo comida pronta, mas não dava pra fugir dela para sempre. Hoje eu decidi enfrentar minha adversária. Primeiro fui para o computador, arrumei o quarto, dei uns telefonemas, adiei o quanto pude. Depois olhei para a mesa e pensei: “ Massa ou outra coisa?”

Calma, vou explicar:

MASSA= macarrão, molho pronto e atum
OUTRA COISA= qualquer coisa que dá pouco trabalho e suja pouco.

Decidi por outra coisa mesmo: o arroz de carreteiro, prato típico acho que do Ceará. Peguei o meu caderno de receitas. O de todo mundo tem receitas de bolos, tortas, etc. O meu ,além disso, tem receitas de feijão, molho de tomate, sopa e tudo o que, se eu fizer de cabeça, falta algum ingrediente.

Depois da maratona para encontrar os ingredientes e os utensílios, lá vai o arroz para o fogo. Antes, tive que dourar a carne e as linguiças (outra panela pra lavar) e queria guardar o óleo para doar para reciclagem. Como ainda tinha que lavar uma garrafa PET para guardar, tive a brilhante ideia de colocar o óleo em um copo descartável, que se derreteu e espalhou óleo por todo lugar. Respiradinhas de relaxamento depois, limpei tudo, continuei a minha peregrinação e ignorei a vontade de ligar para a minha mãe para peguntar o ponto certo do arroz e se precisava colocar sal.

“Agora vou fazer o suco”. Fingi que nem estava vendo a garrafa de refrigerante cheinha e as polpas de frutas e fiz um suco fresquinho de laranja e limão (mais coisas na pia).

O prato ficou até bonito e todos fizeram cara de satisfeitos. Ainda bem.

Na hora de lavar os pratos peguei distraidamente a garrafa de óleo que havia esquecido no balcão, confundi com detergente e derramei um pouco na esponja. Uiiiiiiiiiiiiiii, que impaciência.

Depois de todo esse imbróglio ainda tinha coisas para fazer, porque se eu sair da cozinha deixo queimar tudo. Diligentemente arrumei a cozinha, peguei vassouras e afins e fui me torturar mais um pouco.

De qualquer forma, nem tudo está perdido. Segunda feira a nossa escudeira voltará. E até lá já arranjei uma pessoa para substituí-la, não quero correr o risco de virar a casa de cabeça pra baixo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ciclos


Inicia-se o novo ano que traz consigo novas ideias, esperanças, planos os mais diversos. Fecha-se um ciclo para dar lugar ao novo, e isso é bom.

Não que o anterior tenha deixado a desejar. Fazendo um balanço de tudo o que vivemos em 2010 percebo que o saldo foi bem positivo, à medida que passamos a valorizar as coisas que realmente valem a pena. Mesmo as coisas que consideramos negativas são extremamente necessárias para não perdermos a capacidade de olhar o outro, de nos indignar, de reagir.

Os almoços barulhentos, encontros, visitas, presentes, fotografias, risadas,beijos, bilhetinhos pela manhã, telefonemas de preocupação ou alegria, criançada correndo. Eu chamo isso de família.

Mil e-mails para responder, telefonemas, visitinhas, queixas da sua ausência, passar quinze dias combinando um encontro de tres horas, afeto, festinhas. Eu chamo isso de amizade.

As reuniões, a preocupação com a sua ausência, o louvor, o compartilhar de alegrias e de dores. Eu chamo de irmandade.

O caos em meio a risadas, as perguntas inusitadas, o cansaço no fim do dia. Eu chamo isso de escolha profissional.

As discussões acaloradas, notícias nos jornais, fóruns, debates, encontros. Isso eu chamo de militância. E de cidadania.

A torneira quebrada, o pão quentinho, a cama desfeita, o banco no jardim. Isso eu chamo de lar.

Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo que amar e algo que esperar. (Aristóteles)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

No ano novo... Ana Jácomo



"No ano novo, bem mais do que nos outros, quero alimentar o meu coração com mais daquilo que eu sei que ele gosta e é capaz de nutri-lo. Quero escolher com todo amor os ingredientes de cada refeição. Cozinhar mais vezes para ele. Usar os temperos que mais aprecia. Dedicar um tempo maior para preparar a mesa. E, depois de servi-lo, desfrutar a delícia de vê-lo saborear o que preparei. Curtir o conforto de me saber responsável pelo seu contentamento. Aquele gostinho bom do “fui eu que fiz pra você”.

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter mais gentileza com os meus sentimentos. Com todos eles, sem exceção. Quero ter mais habilidade para ouvir o que têm pra me contar, sem tentar abafar a voz daqueles que podem me trazer desconforto. Quero deixar que se expressem, exatamente com a cara que têm. Que me façam surpresas. Que me apontem as mudanças que já aconteceram e me falem sobre aquelas que pedem para acontecer. Quero que me mostrem as regiões ainda feridas em mim que precisam de olhar, de cura ou de perdão. Não quero sentimento acuado, amordaçado, varrido pra debaixo do tapete. Quero ser a melhor confidente de cada um.

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter mais cuidado com os sentimentos alheios. Mais compaixão. Mais empatia. Mais tolerância. Suspender o julgamento. Trocar a crítica pelo respeito. Parar de achar que eu faria diferente, que eu diria diferente, quando não é a minha vida que está na berlinda. Quero lembrar mais vezes o quanto nos exige cada superação, cada avanço, cada conquista, cada descoberta das chaves capazes de abrir os cárceres que inventamos para nós. Quero lembrar mais vezes do quanto eu falho, mesmo quando quero acertar. Do quanto eu ainda me atrapalho comigo. Do quanto preciso ser generosa com a minha trajetória a cada novo projeto anunciado pela minha alma. A cada nova tentativa. A cada novo tropeço.

No ano novo, quero me encantar mais vezes. Admirar mais vezes. Compartilhar mais amor. Dançar com a vida com mais leveza, sem medo de pisarmos nos pés uma da outra. Quero fazer o meu coração arrepiar mais freqüentemente de ternura diante de cada beleza revista ou inaugurada. Quero sair por aí de mãos dadas com a criança que me habita, sem tanta pressa. Brincar com ela mais amiúde. Fazer arte. Aprender com Deus a desenhar coisas bonitas no mundo. Colorir a minha vida com os tons mais contentes da minha caixa de lápis de cor. Devolver um brilho maior aos olhos, aos dias, aos sonhos, mesmo àqueles muito antigos, que, apesar do tempo, souberam conservar o seu viço. Quero sintonizar a minha freqüência com a música da delicadeza. Do entusiasmo. Da fé. Da generosidade. Das trocas afetivas. Das alegrias que começam a florir dentro da gente.

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter atenção com relação ao que sinto, ao que vejo, ao que propago. Mais cuidado para não me intoxicar com os apelos do medo e do pessimismo, tão divulgados nesses nossos tempos. Usufruir mais a sábia isenção que nos permite continuar a ver o melhor para a nossa vida e para a vida de todos os seres, apesar de. Não me importa se eu olhar na contramão: quero ter a coragem de sustentar a minha crença de que o amor, a paz, a luz, hão de prevalecer na Terra, e, enquanto isso não acontecer, quero dirigir também a minha energia ao propósito de que prevaleçam em mim.


No ano novo, bem mais do que nos outros, eu quero me sentir feliz. Uma felicidade que não está condicionada à realização das coisas que, particularmente, anseio para mim. Para a minha história nesse mundo. Para essa personagem que eu visto. Quero, antes de qualquer outra razão, me sentir feliz por encontrar descanso e contentamento no meu coração. Por tocar com o sentimento a preciosidade da vida. Por saber que existem coisas para eu realizar enquanto estou por aqui. Por acreditar que a maior proposta da idéia humana é a felicidade. Não importa quantas nuvens eu possa ter que dissipar no ano que começa: gente, por natureza, é sol, e eu quero viver esse lume."


(Ana Jácomo)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Desacelerando



Nova virada de ano. Tempo de balanços e reflexões. De promessas que só duram até a hora da virada. De pesar ganhos e perdas. É uma questão de escolha, e escolhi valorizar os ganhos e ver as perdas como oportunidades para me despir da vaidade.

Escolhi comemorar os minúsculos milagres que formam os segundos, minutos,as horas do nosso dia. O café com os amigos, as risadas, o cheiro com que o nosso pé de jasmim nos brinda a cada noite, o por do sol visto bem aqui do meu portão, o abraço do filho, a chegada do meu amor. Não preciso de grandes eventos para comemorar o presente da vida. Esses são esporádicos e viver à espera deles seria monótono e sem graça.

Escolhi esperar sempre o melhor das pessoas. Dizem que isso é decepção na certa. Se for, é para o outro, nunca para quem acreditou nele. E digo ainda que a vida me presenteou com pessoas que reforçam ainda mais a minha decisão.

Escolhi desacelerar, curtir mais os caminhos antes de chegar ao destino. Lembrar que "a palavra é prata e o silêncio é ouro" ( é difícil, mas eu chego lá). Contemplar mais. Ouvir mais. Ouvir só o que vale a pena e deletar o que não vale. Afrouxar um pouquinho os parafusos.

*Falando em contemplar, só uma canja do por do sol visto do meu portão...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DEZEMBRITES



O último trimestre do ano é cheio de particularidades. Tudo fica mais agitado, as pessoas se mobilizam para as intermináveis festas de final de ano e também, após um ano de trabalho, todo mundo quer merecidas férias.

E nessa época, coincidentemente, as crianças começam a espalhar as doenças infectocontagiosas tão chatinhas que se alastram nas escolas e vizinhanças: catapora, rubéola e 'otras cositas mas'...

Pensam que os adultos ficam imunes? Aí é que se enganam! As ITE's chegam de mala e cuia: outubrite, novembrite e dezembrite. Ouvi as expressões há um tempão, de um médico que pesquisava a alta incidência de doenças e cansaço excessivo nos últimos meses do ano em pessoas de diversas classes sociais, profissões e idades.

Eu mesma tenho uma dezembrite chatíssima todos os anos. Pra ser sincera, começa mesmo em outubro, em novembro fica chateando e inaugura dezembro com louvor. É uma impaciência, vontade de sair de férias logo...Vou logo avisando aos colegas: "Tou com dezembrite!"- Todo mundo já sabe.

Espero as férias como um andarilho busca água no deserto. Nem que seja para ficar dias de pernas para o ar, dormir até enjoar, ler livros que estão na fila desde o meio do ano, curtir muito a família. Uns dias de sol, mar e sossego serão bem vindos também.

Falta pouco...Vou recarregar as energias a partir do primeiro dia do novo ano. Yesss. E as ITE's vão hibernar, e já vão tarde...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Uma balançada boa


Às vezes a vida nos manda ventos que desmancham os nossos cabelos, e a nossa reação imediata é por as mãos na cabeça para tentar dar uma arrumada.

Como o vento nos cabelos, as ventanias da vida às vezes assustam um pouco e a gente quer tudo de volta ao lugar de sempre. Arrumadinho e intocável. Mas quem quer uma vida arrumadinha, certinha, paradinha? Deixa o vento despentear um pouco, mudar o visual, dar um ar mais diferente!

A palavra do dia é reinventar. Reinventar-se a cada dia. Fazer diferente. Receber o novo com carinho. Deixar a vida acontecer e curtir o balanço dos cabelos...e da vida.